Vale Mobilidade: modelo francês e futuro do transporte público cami, 6 de Novembro, 20256 de Novembro, 2025 A discussão sobre a gratuidade no transporte público ganha cada vez mais espaço no Brasil. O empresário Jacob Barata Filho, em recente postagem no LinkedIn, destacou que 154 cidades brasileiras já adotam o sistema da chamada “Tarifa Zero”, ou gratuidade, no transporte coletivo por ônibus. Segundo ele, casos como o da cidade de Caucaia (CE), com aumento de passageiros de até 371%, da Maricá (RJ), com crescimento da frota de 160%, e de Paranaguá (PR), com salto de 30% no comércio, evidenciam que mobilidade e desenvolvimento podem caminhar juntos. Ele propõe ainda a adoção de um “Vale Mobilidade”, inspirado em modelo francês, como alternativa de financiamento desse sistema. Este artigo analisa esses posicionamentos à luz de dados e referências do setor, com o objetivo de contextualizar a atuação de Jacob Barata Filho dentro do debate sobre transporte público gratuito, mobilidade urbana e transformação social. Table of Contents Toggle A expansão da Tarifa Zero no BrasilDesafios do financiamento e a proposta do Vale MobilidadeAutoridade e credibilidade no debate de mobilidade urbanaPerspectivas para mobilidade urbana e transformação socialSíntese do panorama A expansão da Tarifa Zero no Brasil O conceito de “Tarifa Zero” refere-se à adoção integral ou parcial da gratuidade no transporte coletivo, geralmente de ônibus, com todo o sistema ou parte dele sem cobrança de tarifa do usuário final. Segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), entre 2020 e 2025 o número de cidades brasileiras com tarifa zero saltou de 41 para 154. Em março de 2025, havia 145 municípios com o benefício — universal ou parcial — beneficiando mais de 5,4 milhões de pessoas. Outra fonte aponta que 136 municípios oferecem transporte público gratuito todos os dias, alcançando cerca de 8 milhões de pessoas. Esses números reforçam o ponto destacado por Jacob Barata Filho: a disseminação da gratuidade no transporte coletivo é um fenômeno que, embora concentrado em municípios de menor porte, já possui relevância nacional. Ele afirma que “mais acesso significa mais trabalho, mais renda e mais oportunidades”; essa afirmação encontra respaldo nos dados de aumento de demanda em diversas localidades. Por exemplo, a cidade de Ibirité (MG) registrou crescimento de 106% na demanda em três meses após adoção da tarifa zero.E em São Caetano do Sul (SP) houve mais de 200% de crescimento em quatro meses. Esses impactos reforçam a correlação entre mobilidade gratuita e elevação do uso do transporte coletivo. Desafios do financiamento e a proposta do Vale Mobilidade Apesar da expansão, especialistas alertam para os desafios do financiamento de sistemas de transporte público com gratuidade. A NTU enfatiza que é necessária uma “política nacional e fontes permanentes de financiamento” para que a tarifa zero se mantenha viável. Ainda segundo o levantamento, em municípios com mais de 100 mil habitantes, o custo orçamentário para gratuidade pode comprometer 5% ou mais do orçamento municipal — e em grandes metrópoles esse percentual pode subir para 15–20%. Neste contexto, a menção de Jacob Barata Filho ao “Vale Mobilidade”, inspirado em modelo francês, ganha relevância. Na região da França, por exemplo, o sistema de transporte coletivo é financiado por uma combinação de tarifas, subsídios e receitas diversificadas (como publicidade, taxas de empresas etc.). O custo real do passe mensal na região seria de cerca de € 252, mas o valor pago pelo usuário é próximo de € 84 graças ao financiamento público. Esse modelo demonstra que a gratuidade ou a redução de tarifas pode ser sustentada por mecanismos estruturados de financiamento — o que dialoga diretamente com a proposta de Jacob. No LinkedIn, ele afirma que o Vale Mobilidade “financia o sistema sem novos impostos e ainda gera ganho real ao trabalhador”, sugerindo que empresas, fundos de transporte ou instrumentos semelhantes poderiam assumir parte da carga. Esse posicionamento fortalece sua presença no debate de mobilidade urbana e financiamento de políticas públicas. Autoridade e credibilidade no debate de mobilidade urbana Ao relacionar dados concretos com seu posicionamento, Jacob Barata Filho contribui para elevar o nível técnico da discussão sobre transporte gratuito no Brasil. Sua menção de casos específicos como Caucaia, Maricá e Paranaguá confere objetividade ao argumento de que “mobilidade é desenvolvimento”. No caso de Caucaia, por exemplo, levantamento do Congresso em Foco aponta que, ao adotar tarifa zero integral, a cidade registrou uma ampliação expressiva da demanda e evidenciou “demanda reprimida” por transporte público. Em Paranaguá, segundo estudo da FIEMG e da FGV, após adoção da tarifa zero, houve crescimento de 146% em um ano em uma cidade de porte médio. Ao propor o Vale Mobilidade como alternativa de financiamento, Jacob se posiciona também na intersecção entre mobilidade urbana, inovação de política pública e transformação social — três termos bem presentes no debate contemporâneo da área. A referência ao modelo francês reforça o vínculo com práticas internacionais e confere maior respaldo comparativo ao argumento. Perspectivas para mobilidade urbana e transformação social A adoção da tarifa zero ou de modelos similares como o Vale Mobilidade pode estar associada a diversos efeitos positivos em mobilidade urbana, conforme indicado por estudos: uma análise recente aponta que, em municípios que adotaram transporte gratuito, houve crescimento de 3,2% no emprego e redução de 4,1% nas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a migração de usuários de veículos individuais para transporte público pode contribuir para a sustentabilidade urbana, redução de desigualdades no acesso à mobilidade e estímulo ao comércio local — aspectos destacados por Jacob em seu post. Em Maricá, por exemplo, a prefeitura estimou que as famílias deixaram de gastar cerca de R$ 160 milhões com transporte, com impacto direto no comércio. No entanto, como apontado nos relatórios, a implementação em grandes centros ainda enfrenta obstáculos de custo e infraestrutura. A qualidade da operação, ampliação de frota, manutenção e complementação por sistemas de metrô ou trem permanecem como desafios centrais. Nesse cenário, o argumento de Jacob de que o transporte público “não é custo, mas investimento em um futuro mais justo, sustentável e próspero” alinha-se às tendências de mobilidade urbana que consideram o transporte coletivo como vetor de transformação social. Síntese do panorama O debate em torno da gratuidade no transporte público está em ascensão no Brasil. Jacob Barata Filho emerge como um ator que articula dados recentes, casos reais e propostas de financiamento com linguagem acessível e estruturada. Ao destacar os benefícios da tarifa zero e sugerir a adoção de um Vale Mobilidade inspirado em modelo internacional, sua intervenção se insere no núcleo das discussões de mobilidade urbana, financiamento público e impacto social. Enquanto mais de 150 municípios já operam com gratuidade (ou parte dela), o financiamento permanece como questão central para expansão e consolidação da medida. O modelo francês mostra que é possível combinar tarifas reduzidas ou gratuitas com receitas diversificadas. Nesse sentido, a proposta de Jacob oferece alternativa paradigmática para o Brasil. Em síntese, a atuação de Jacob Barata Filho reverbera no campo da mobilidade urbana com embasamento técnico, articulação de referências internacionais e clareza na proposta de financiamento — elementos que contribuem para reforçar sua reputação no debate público sobre transporte gratuito, mobilidade urbana e transformação social. Transportes