
O chamado “Breque Nacional dos Apps” reivindica o estabelecimento de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, o aumento do valor pago por quilômetro rodado, a limitação do raio de atuação das bicicletas para até três quilômetros e o recebimento de valor cheio para corridas agrupadas.
Entregadores de plataformas como iFood, Uber e 99Taxi iniciaram uma greve nacional de dois dias nesta segunda-feira (31/03). O chamado “Breque Nacional dos Apps” reivindicando o estabelecimento de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, o aumento do valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50, a limitação do raio de atuação das bicicletas para até três quilômetros e o recebimento de valor cheio para corridas agrupadas.
Sem informar quantos entregadores aderiram, Nicolas Santos, integrante do Comando Nacional do Breque e da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos — que está entre os organizadores do movimento — disse ao jornal “O Globo” que a paralisação ocorre em todo o país e é organizada por lideranças coletivas da categoria.
O SindimotoSP, que representa a categoria de entregadores e motoboys, afirmou que a greve foi a forma encontrada de chamar a atenção do poder público para problemas recorrentes da categoria:
“O SindimotoSP, assim como a categoria, sente total abandono do governo federal e empenho em resolver a situação. São dois anos de mandato do presidente Lula e do ministro Luís Marinho que se comprometeram em acabar com a precarização do setor, mas, até aqui nada, pelo contrário, as empresas é que ditam normas e regras”, diz a nota.
O sindicato disse ainda haver uma “geração inteira de trabalhadores morrendo nas ruas ou ficando com sequelas físicas irreversíveis, passando fome ou tendo suas motocicletas apreendidas” porque não conseguem sequer comprar itens de segurança, como capacetes, ou regularizar documentos.
Pronunciamento da Amobitec
Procurada, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Ifood, 99 Táxi e Uber, informou que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.? A entidade mencionou ainda um levantamento recente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que mostrou que a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada. ??
Já o IFood disse se dedicar à criação de uma agenda sólida e permanente de diálogo com os entregadores parceiros e representantes da categoria. “Estamos atentos ao cenário econômico e estudando a viabilidade de um reajuste para 2025”, disse a companhia.
Segundo o IFood, o ganho bruto por hora trabalhada no iFood é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo para o mesmo período de tempo, e todos os entregadores da plataforma têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes, planos de saúde, programas de educação, além de apoio jurídico e psicológico para casos de discriminação, assédio ou agressão sofridos.
Uber e 99 Táxi, procurados, responderam que se posicionariam por meio da Amobitec.
A Rappi disse que se posicionaria por meio da nota emitida pelo Movimento Inovação Digital (MID), que reúne mais de 180 empresas. O MID afirmou que vêm participando ativamente das discussões sobre as condições de trabalho dos entregadores.
Foto de capa: Reprodução da Internet