7 produtos que podem ficar mais caros para os americanos com tarifa de Trump ao Brasil cami, 9 de Agosto, 20259 de Agosto, 2025 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em 30 de julho uma ordem executiva que impõe tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 6 de agosto. A medida foi anunciada após dias de tensão e veio acompanhada de uma lista com quase 700 isenções, que protegeram setores como o de suco de laranja e a fabricação de aeronaves — juntos, eles representam 43,4% das exportações brasileiras para o mercado americano. Mesmo assim, cerca de 3,8 mil itens ainda serão atingidos. Entre eles, alguns em que o Brasil é fornecedor relevante, como café, açúcar orgânico e carne. Para o consumidor americano, o efeito pode variar: a oferta interna pode ser reduzida, elevando preços, ou parte do custo pode ser absorvida por empresas. No caso de produtos essenciais ou com pouca substituição no mercado, a tendência é de alta nos preços finais. Segundo o The Budget Lab, da Universidade de Yale, o conjunto de tarifas já anunciado pode gerar um aumento de 1,8% na inflação americana no curto prazo, o que equivale a um custo extra médio de US$ 2.400 por família em 2025. A BBC News Brasil cruzou dados da lista tarifada com informações da US International Trade Commission e do Observatory of Economic Complexity para identificar produtos que provavelmente ficarão mais caros. Aqui estão os 7 produtos que podem ficar mais caros para os americanos com tarifa de Trump ao Brasil: Table of Contents Toggle 1. Café2. Manga e goiaba3. Carne4. Açúcar orgânico5. Chocolate6. Carros7. Produtos enlatados e industrializadosConclusão 1. Café Os EUA são o maior consumidor de café do mundo, mas praticamente não cultivam o grão, exceto em pequenas áreas no Havaí e em Porto Rico. Isso significa que o país depende fortemente de importações, e o Brasil é o maior fornecedor, respondendo por cerca de um terço de todo o café comprado pelos americanos. Essa dependência torna difícil encontrar alternativas rápidas caso o café brasileiro seja impactado pela tarifa. A Colômbia, segundo maior exportador para os EUA, está sujeita a uma tarifa de apenas 10%, mas representa apenas 8% da produção global, enquanto o Brasil concentra 37%. Mesmo com o Vietnã, o segundo maior produtor mundial, o desafio de substituir o Brasil continua, principalmente porque cada origem de café oferece um perfil de sabor único, e muitos consumidores podem não querer trocar a variedade brasileira. Caso a tarifa permaneça, os importadores americanos podem ter de escolher entre pagar mais caro para manter o café brasileiro ou substituir parte da oferta por outros fornecedores, possivelmente alterando a qualidade ou o sabor do produto disponível no mercado. Analistas, como a Tax Foundation, já alertam que o preço do café é um dos que mais devem subir nos supermercados americanos. 2. Manga e goiaba O Brasil é o quarto maior fornecedor de mangas e goiabas para os EUA, com exportações de cerca de US$ 56 milhões em 2024. O México lidera a lista, seguido por Peru e Equador. Embora haja produção interna em estados como Flórida, Califórnia e Havaí, ela não é suficiente para atender à demanda nacional, tornando as importações essenciais. Com a tarifa de 50%, produtores brasileiros já relatam cancelamentos de pedidos e consideram inviável continuar exportando para os EUA. Caso os americanos não consigam encontrar fornecedores alternativos com preços competitivos, a consequência mais provável será um aumento nos preços ao consumidor. Frutas como a manga e a goiaba têm alta demanda especialmente no verão, quando são usadas tanto para consumo in natura quanto na produção de sucos e sobremesas. No curto prazo, o The Budget Lab estima que frutas e legumes podem ter aumento médio de 6,9% no preço, o que impactará diretamente a cesta de compras dos americanos. 3. Carne O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e fornece 23% da carne importada pelos EUA. Apesar de os americanos também serem grandes produtores, o volume brasileiro complementa a oferta interna, ajudando a manter preços competitivos. Com a nova tarifa, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) alerta que as exportações podem se tornar inviáveis. O custo da carne nos EUA já vem registrando recordes em 2024, resultado de um equilíbrio delicado entre produção e consumo: o rebanho bovino americano se manteve estável nas últimas duas décadas, enquanto a demanda segue crescendo. Uma restrição adicional de oferta pode pressionar ainda mais os preços. Segundo o The Budget Lab, a tarifa pode gerar um aumento de 1,1% no preço da carne bovina nos primeiros meses. Mesmo sendo menor que o impacto em outros setores, esse percentual é significativo considerando que a carne já é um item de alto custo para as famílias americanas. 4. Açúcar orgânico Os Estados Unidos importam praticamente todo o açúcar orgânico que consomem. Entre 2023 e 2024, o Brasil foi responsável por 49% dessas importações, seguido do Paraguai (19%) e da Colômbia (13%), segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Isso significa que quase metade do açúcar orgânico utilizado nos produtos americanos vem do Brasil. A importância é ainda maior porque, para receber o selo de certificação orgânica do USDA, qualquer alimento ou bebida que contenha açúcar precisa utilizar a versão orgânica da matéria-prima. Ou seja, produtos como iogurtes, chocolates, sorvetes, kombuchas, barras de cereais e até bebidas energéticas podem ser impactados. Com a tarifa de 50%, o custo do açúcar orgânico brasileiro tende a aumentar significativamente. Se os EUA não encontrarem fornecedores alternativos capazes de atender à demanda, as empresas terão que escolher entre pagar mais caro ou reformular receitas, o que pode comprometer o sabor e a qualidade de muitos produtos. A Organic Trade Association, que representa o setor de orgânicos nos EUA, já alertou que a medida pode afetar toda a cadeia produtiva. A entidade citou o Brasil nominalmente como um dos países cuja ausência no mercado americano pode causar elevação de preços em larga escala. 5. Chocolate O cacau, principal matéria-prima do chocolate, praticamente não é cultivado nos EUA, com exceção de pequenas plantações no Havaí e em Porto Rico. O Brasil não é o maior produtor mundial, mas desempenha papel importante como fornecedor de manteiga de cacau, um ingrediente essencial na fabricação do chocolate. Em 2024, o país exportou cerca de US$ 61,4 milhões desse produto para os EUA. Além do Brasil, os principais fornecedores de manteiga de cacau para os americanos são Indonésia, Malásia, Peru e Índia. No entanto, o mercado global já enfrenta um cenário de alta nos preços devido a fatores como secas e pragas nas principais regiões produtoras, especialmente no oeste da África, onde está concentrada a maior parte da produção mundial de cacau. Esse aumento de custo se reflete diretamente nas prateleiras. A tarifa sobre o produto brasileiro pode agravar ainda mais essa alta, já que o insumo é usado não apenas em chocolates, mas também em cosméticos e produtos de confeitaria. A Tax Foundation alerta que o setor de confeitaria pode ser um dos mais pressionados, levando à possibilidade de porções menores ou preços mais altos para chocolates e produtos derivados. Para o consumidor americano, isso pode significar um impacto duplo: alta no preço e redução na qualidade ou variedade disponível. 6. Carros O setor automotivo é um dos mais sensíveis ao aumento das tarifas, especialmente por depender de matérias-primas metálicas. Segundo o The Budget Lab, os metais lideram o ranking de produtos com maior potencial de alta, podendo chegar a 39,4% de aumento no curto prazo e 17,9% no longo prazo. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá, e o maior exportador mundial de nióbio, usado para reforçar ligas metálicas em chassis e sistemas de segurança de veículos. Além disso, parte do alumínio importado também vem do Brasil. Esses materiais já haviam sido alvo de tarifas globais de 50% impostas em junho, mas a medida agora é ainda mais restritiva. O governo Trump justifica a ação como uma forma de fortalecer a indústria siderúrgica americana, promessa alinhada ao slogan “Make America Great Again”. Entidades que usam aço como matéria-prima, como o Can Manufacturers Institute (fabricantes de latas), já alertaram que a tarifa pode elevar os preços não só de automóveis, mas também de eletrodomésticos e embalagens metálicas, afetando indiretamente diversos setores. 7. Produtos enlatados e industrializados Embora não estejam diretamente no centro do debate, os produtos enlatados podem sofrer impacto significativo. Isso porque suas embalagens dependem fortemente do aço e do alumínio importados — dois itens em que o Brasil é fornecedor estratégico para os EUA. Fabricantes americanos já alertam que, com a tarifa, o custo de produção de alimentos enlatados deve subir, resultando em aumento de preços para itens básicos como milho, feijão, atum, sopas prontas e bebidas. O efeito tende a ser mais visível em regiões onde o consumo de enlatados é alto, seja por hábito alimentar ou pela falta de acesso fácil a alimentos frescos. Esse cenário pode atingir especialmente comunidades rurais e famílias de baixa renda. Historicamente, tarifas sobre insumos básicos já provocaram efeitos em cascata na economia americana, beneficiando alguns produtores locais, mas elevando o custo de vida para a população em geral. Essa é uma das críticas mais frequentes feitas por economistas à nova medida do governo Trump. Conclusão O tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros inaugura um período de incerteza para importadores e consumidores nos EUA. Embora parte da medida tenha isenções, os itens que continuam sujeitos à taxa de 50% incluem produtos estratégicos e, em alguns casos, insubstituíveis. Para o Brasil, a medida ameaça setores exportadores que dependem do mercado americano. Para os EUA, a consequência mais imediata pode ser a alta nos preços de alimentos, veículos e produtos industrializados, com impacto direto no bolso das famílias. Historicamente, tarifas semelhantes tiveram efeitos mistos: beneficiaram setores específicos, mas provocaram aumentos de preços e perda de competitividade em outros. O desafio agora será medir até que ponto o protecionismo poderá cumprir a promessa de fortalecer a indústria americana sem onerar excessivamente o consumidor. Economia